“O rádio, que se inclui num processo de mudanças tecnológicas, opera social e culturalmente servindo à mediação com uma relação com os seus usuários. Por sua linguagem, que mistura os gêneros radiofônicos, o rádio não é só meio, é mediação. [...] A linguagem [...] é coloquial-popular, caracterizada pela espontaneidade, é o que a maioria das pessoas utiliza em seu dia-a-dia. O falante não está preocupado com o que é certo ou errado, segundo as regras da norma culta. [...] a comunicação oral se estabelece porque os interlocutores estão comunicando-se no mesmo ‘nível de códigos’ culturais existentes na oralidade regional. Sabemos que o código usado para essa comunicação é o da língua portuguesa, mas além da língua usada para essa comunicação, temos códigos culturais regionais [...] e são traduzidos pelos destinatários que, ao decodificar, reconhecem-se como parte da mesma cultura. A oralidade mediada pelo rádio na região amazônica é aquela que combina meios, informações e altera, por exemplo, o ‘rádio com função de telefone’” (MARTINS, 2004, p.56, 79 e 80).
Neste trecho, o autor está se referindo ao programa: