Homens puxando carroças, a praça da Sé tomada por indigentes que fazem de seus lindos chafarizes chuveiro, pia e vaso sanitário. As ruas do centro cobertas por barracas improvisadas para as noites, prédios abandonados servindo de abrigo para inúmeras famílias.
Como apresentamos essa realidade aos nossos filhos, qual a versão que lhes contamos? Longe de sermos impotentes - crença que nos desresponsabiliza - , somos os grandes formadores de opinião, por meio das interpretações que lhes oferecemos.
Não bastasse a tragédia do desabamento do prédio no largo do Paissandu, assistimos às versões mais indignas sobre o fato, nos dias que se seguiram ao acontecimento. Culpar as vítimas revela o medo que nutrimos de uma pobreza à qual podemos sucumbir. E como aqui pobreza é sinônimo de perda da cidadania, de todos os direitos sociais e da falta de recursos públicos (transporte, saúde, escola e moradia), temos o que temer. Movimentos sociais, que cuidam dessas pessoas com seriedade, são confundidos levianamente com alguns oportunistas, sempre de plantão, que exploram sua vulnerabilidade. É a ausência do poder público que se mostra aí.
Vera laconelli
"Desabamento moral". ln https://www l .folha.uo l.com.br/colunas/vera-iaconelli/2018/05/desabamento-moral.shtml (fragmento)
Sobre aspectos gramaticais do texto, a única opção correta é: