Leia o relato de caso a seguir.
S., de 73 anos, recém-diagnosticada com carcinoma hepatocelular, ao encontrar o psicólogo tem a seguinte conversação:
“Eu estou bem, estou aqui com minhas linhas. Estou fazendo uma bolsinha pra minha neta mais nova, ela vai fazer quatro anos mês que vem. Os médicos... não me entenda mal, todos me trataram muito bem. As enfermeiras são ótimas! Mas os médicos podem ser muito teimosos. Vieram ontem me dizer que eu tenho uma doença horrorosa com nome difícil, um tipo de câncer. Eu disse que eles estão errados, que precisam repetir os exames, mas eles disseram que já fizeram todos os exames e esse é o resultado final. Muito teimosos, eles! Até já estou me sentindo melhor, embora ainda continue com essa cor estranha. Mas eu vou ficando aqui, até que eles digam que eu posso ir embora. Esses remédios estão me ajudando muito. Também nem me importo de fazer exames, eu não tenho medo de agulhas. Acho que logo vão mudar de ideia e me deixar ir pra casa, mas também se demorar?... Meu filho vem me visitar sempre e no final de semana trará meus netos. É como eu disse: eu tenho minhas linhas, fico aqui fazendo meu crochê.”
Nessa fala, fica evidente a negação da paciente. Qual deve ser a conduta do psicólogo nessa situação?