Crescimento econômico geralmente implica aumento nas atividades em todos os setores – indústria, comércio, serviços, consumo. Em outras palavras, significa mais extração de recursos naturais, mais produção e mais coisas devolvidas à terra na forma de lixo. O crescimento econômico deveria ser um meio de valor neutro para atender às necessidades básicas de todos e criar comunidades mais saudáveis, energia mais limpa, infraestrutura mais sólida, cultura mais vibrante etc. Durante muito tempo, ele contribuiu para a difusão desses objetivos fundamentais em algumas partes do planeta, propiciando a abertura de estradas, a construção de moradias etc. Agora, talvez já tenhamos coisas suficientes para atender às necessidades básicas de todos; só que elas não são distribuídas de forma justa.
Uma grande parte do problema é que o sistema econômico dominante valoriza o crescimento como um objetivo em si mesmo. Por isso usamos o produto interno bruto, ou PIB, como a medida padrão do sucesso de uma nação. O PIB contabiliza o valor dos bens e serviços produzidos a cada ano. Mas deixa de fora facetas importantes, ao não considerar a distribuição desigual e injusta da riqueza, nem examinar quão saudáveis e satisfeitas estão as pessoas. É por isso que o PIB de um país pode seguir subindo a ótimos 3% ao ano, e a renda dos trabalhadores ficar estagnada, caso a riqueza emperre em um determinado ponto do sistema. Além disso, os verdadeiros custos ecológicos e sociais do crescimento não são incluídos no PIB.
A fé de nossa sociedade no crescimento econômico repousa na suposição de que sua continuidade é tão possível quanto benéfica. Mas nenhum dos dois pressupostos é verdadeiro. Primeiro porque, devido aos limites do planeta, o crescimento econômico infinito é impossível. Ultrapassado o patamar em que as necessidades humanas básicas são atendidas, ele tampouco se revelou uma estratégia para aumentar o bem-estar. Registramos, hoje, nas grandes metrópoles, um alto nível de estresse, depressão, ansiedade e solidão.
Annie Leonard. Uma história das coisas.
Da natureza ao lixo, o que acontece com tudo o que consumimos. Rio de Janeiro, Zahar, 2010, p. 16-7 (com adaptações).
No primeiro período do texto LP-1-A1, o vocábulo “implica” é usado com o sentido de