Magna Concursos
1504682 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
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TEXTO 1:


NOSSO BICHINHO PREFERIDO

Olivier Zoroastro Martins


1 Nem todos conhecem o Sargento Militão, mas ele existe. Diz uma lenda que ele estava aqui agora mesmo

e, de repente, estava mais não. Quem já esteve com ele, descreveu-o como um sujeito da paz, pessoa tranquila e

de gestos simples. Ninguém sabe onde mora. Dizem, sem convicção, que é longe, muito longe daqui.

Na mais recente reunião escolar, a expectativa era grande por parte dos estudantes. Havia muita

5 curiosidade no auditório. Todos queriam conhecer um pouco sobre um Colégio instalado dentro de um

quartel. Os jovens visitantes queriam perguntar tudo. Sargento Militão aceitou o convite dos

organizadores do evento e compareceu. Como sempre, muito pontual e comedido, mantinha as mãos para

trás em sinal de respeito. Usava uma veste de gala, própria para dias especiais. Já que era um dia de festa,

sua farda era clara, incomum, de um verde mais iluminado, com botões prateados no sentido vertical e

10 medalhas douradas, no peito, sentido horizontal. Tinha um sorriso nos olhos e falava devagar.

A garotada perguntava e ele, sereno, ia tentando traduzir o jeito particular da Instituição, revelando o

espírito da casa para os aspirantes a alunos do Colégio Militar. Dizia, com entusiasmo, que o grande desafio da

escola era manter as tradições do passado e preparar o futuro, o que seriam as duas pontas de uma mesma

realidade. Explicou que o momento presente era o instante de culto à própria história da escola e, ao mesmo

15 tempo, do cultivo das flores do jardim do amanhã. Concluiu que as ferramentas para se garantir o respeito ao passado

e preparar o sucesso no futuro eram a disciplina e a educação: princípios que devem ser trabalhados incansavelmente.

Esclareceu ainda que princípios são as pilastras ou vigas mestras — comparou-as como estruturas que

sustentam qualquer construção, pois elevam os valores com os quais a escola se identificou sempre.

Alguns garotos quiseram saber mais sobre outros valores mantidos pela escola. O convidado

20 agradeceu a pergunta e falou que o Colégio defendia valores permanentes, todos associados à própria

imagem da Instituição. Citou, por exemplo, a importância, no dia a dia, que se atribuía ao respeito à

família, ao educandário (à Instituição Colégio Militar) e à Pátria — grandezas inegociáveis. Comentou

sobre as competições, as mais saudáveis, promovidas pela escola para estimular o aluno em situações

desafiantes — uma estratégia para promover o desenvolvimento físico e mental do jovem, sempre

25 pensando em sua capacidade de superação. Logo em seguida, Militão discorreu sobre a importância dos

gestos de solidariedade e de companheirismo. Comentou sobre a valorização que se dava à honestidade,

ao mérito individual e ao sucesso coletivo no território Colégio Militar.

As perguntas iam “pipocando” e o sargento Militão, cada vez mais empolgado, “soltava o verbo”.

Alguém pediu mais informações sobre os símbolos adotados pelo Colégio. Militão acrescentou que o

30 Sistema Colégio Militar (composto de várias escolas pelo Brasil) pertencia ao Ministério do Exército.

Explicou que o Colégio fora criado em tempos de guerra e tinha, como função principal, amparar filhos de

militares que iam para a batalha, deixando suas famílias. Esta origem singular explicaria o uniforme

cáqui, semelhante a uma farda; a presença da boina vermelha-grená no alto da cabeça, os sapatos

obrigatoriamente limpos, a apresentação pessoal impecável. Tudo isso para compor a fisionomia de uma

35 Instituição com características muito particulares.

Uma garota quis saber se era verdade que antigamente não havia meninas estudando no Colégio.

Nosso palestrante confirmou que a escola, atenta às inovações da sociedade, abrira as portas ao elemento

feminino nas fileiras da casa, a partir do ano de 1996. Satisfeita esta curiosidade, uma outra menina, de linda

franja, perguntou sobre o mascote da escola, o Nicodemus. Militão ficou emocionado, mas quase ninguém

40 percebeu. Disse que o carneiro Nicodemus era um dos símbolos da escola. Esclareceu que o mascote é,

geralmente, um bichinho que, por algum motivo, identifica-se com a imagem da casa representada.

Aproveitou para lembrar que a águia, por exemplo, era o símbolo dos Estados Unidos da América.

Os garotos então perguntaram o porquê da escolha de um carneiro e não de um tubarão, por exemplo!

“Além de predador, inteligente!” — lembrou um deles. Outro sugeriu que poderia ser o leão, o rei das

45 selvas, pelo respeito que impunha, pela força e poder que exibia! Uma jovem ainda sugeriu que poderia ser

um canguru! Forte, rápido e um tremendo guardião, pois protegia a todos com sua anatomia marsupial.

Houve ainda um garoto que questionou por que não haviam escolhido o lobo para ser o mascote, pois ele

vivia em alcateias, trabalhava em equipe e tinha um olfato privilegiado, ou seja, uma percepção aguçada!

Militão coçou a cabeça levemente como se pensasse e disse que o carneiro Nicodemus comparecia a

50 todas as formaturas matinais. Acrescentou que os alunos do 6º ano cumpriam o protocolo de conduzi-lo

durante a marcha, nos cortejos dos desfiles. Explicou que, na verdade, Nicodemus é quem conduzia os

alunos recém-chegados, dando-lhes as boas vindas, a partir dos primeiros passos do longo aprendizado

que teriam pela frente até atingirem a adolescência. Continuou dizendo que dificilmente um outro

animal reuniria sozinho todas as qualidades do carneiro. Ressaltou sua natureza forte, no entanto afável;

55 sua mansidão, mas também, sua resiliência implacável; sua aparente fragilidade, porém sua

determinação; sua natureza geniosa contrapondo-se à sua obediência e humildade. Assim falando, o

Sargento amigo agradeceu a sugestão dos jovens...

De repente, ouviu-se um forte barulho do lado de fora da sala. Seria um trovão? Todos olharam

para a porta tentando entender o que estava acontecendo. Não havia sinal de chuvas. A banda do Colégio

60 passava executando uma música maravilhosa! Quando as pessoas se voltaram para o palco improvisado,

de onde falava o palestrante... Cadê o sargento Militão? Estava ali! Agora não está mais não.


O autor é professor no CM-BH há 20 anos. Mestre em Linguística pela PUC-MG, escreveu os livros “Lições da Chuva” (poemas) e “O Embarque” (ficção).



Vocabulário:

Comedido (l.7): moderado.

Mascote (l.40): pessoa, animal ou coisa capazes de trazer sorte.

Marsupial (l.46): que tem forma de bolsa.

Cortejo (l.51): procissão, comitiva.

Resiliência (l.55): capacidade de se adaptar à má sorte.


TEXTO 2:


Gorilinha do zoo de BH ganha o nome Ayô


A palavra, de origem iorubá, significa alegria e foi escolhida por 40,44% dos internautas que participaram do concurso.


1 Ayô, palavra que significa "alegria" na língua

africana iorubá, foi o nome escolhido para o segundo

filhote dos gorilas Leon e Imbi, nascido no jardim

zoológico da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte

5 (FZB-BH) em 8 de maio deste ano. O anúncio foi feito

na sexta-feira, dia 1º de setembro. Ao todo, cerca de 30

mil pessoas votaram na internet. Ayô teve a preferência

de 40,44% dos eleitores, enquanto Toriba recebeu

38,94% dos votos e Kong, 20,62%.

10 De acordo com a professora Lívia Regina Alves de Almeida, da UMEI Delfim Moreira, que

desenvolveu todo um trabalho pedagógico e "defendeu" o nome Ayô, esse é um momento de muita

satisfação. "Essa alegria que contagiou as crianças é a própria alegria do nome Ayô. Tivemos um total

envolvimento não apenas das crianças, mas também de seus familiares. Durante todo o processo de

votação, fizemos atividades relacionadas ao tema, explicando a importância da preservação desses

15 animais. Foi um trabalho riquíssimo e que irá ficar ainda melhor depois dessa escolha", comemora a

professora.

Para a pequena Manuelly Fernandes Oliveira, de cinco anos, essa foi uma oportunidade de ver de

perto os gorilas e conhecer o filhote que recebeu o nome escolhido por ela e por seus colegas. "Achei

demais porque nosso nome foi escolhido. Esse é um nome muito bonito!", comemora a aluna.

20 Durante a visita dos alunos ao zoo de BH, para a apresentação do nome do gorilinha, a equipe do

Serviço de Educação Ambiental da FZB realizou um bate-papo interativo para repassar informações

importantes e responder dúvidas sobre o comportamento dos seis gorilas que vivem em BH.


Texto adaptado. Disponível em: https://www.revistaencontro.com.br/canal/atualidades/2017/09/gorilinha-do-zoo-de-bh-ganhao-nome-ayo.html


enunciado 1504682-1

Observe os elementos destacados nas frases a seguir:

1. “Ayô teve a preferência de 40,44% dos eleitores, enquanto Toriba recebeu 38,94% dos votos [...]”(l.7-9)

2. “Tivemos um total envolvimento não apenas das crianças, mas também de seus familiares.” (l.12/13)

3. “Achei demais porque nosso nome foi escolhido.” (l.18/19).

Na sequência em que aparecem, as palavras sublinhadas indicam, respectivamente, relações de:

 

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