“Grupos de populares, indignados, passaram a percorrer as ruas do centro da cidade com paus e pedras. Dirigiam seu rancor particularmente contra todo e qualquer material de propaganda política da oposição. Os símbolos políticos mais visados, e destruídos com fúria, eram dos candidatos da UDN. Grupos percorreram as ruas do centro da cidade ateando fogo no material de propaganda política das oposições. Na avenida Almirante Barroso, o prédio de O Globo foi cercado por uma multidão que tentou invadir suas dependências, mesmo diante do policiamento ostensivo. Após apedrejarem a fachada, cercaram dois caminhões de distribuição do jornal e os incendiaram. Bombeiros, três choques da radiopatrulha e forças do Exército, ao chegarem, impediram a destruição, mas nada puderam fazer para evitar o incêndio dos veículos e nem a queima de milhares de exemplares do jornal. Outras centenas de pessoas foram para a Tribuna da Imprensa, mas novamente a invasão foi impedida, agora pela Polícia Especial. Mesmo assim, toda a edição do jornal foi queimada na rua em frente. Os jornais A Notícia e O Mundo também sofreram com as investidas da multidão. O único a escapar foi Última Hora, não casualmente. Sem condições de dispersar a multidão, os policiais passaram a utilizar bombas de efeito moral, gases lacrimogêneos e armas de fogo. Várias pessoas saíram feridas, sendo três delas à bala. Outros grupos, porém, ao se dirigirem ao Palácio do Catete, passaram em frente à Embaixada dos Estados Unidos. Após apedrejarem as vidraças da Standard Oil, começaram a vaiar e a jogar pedras e pedaços de pau na fachada da representação norte-americana.”
(FERREIRA, J. Crises da República: 1954, 1955 e 1961. In: In: FERREIRA, J. ; DELGADO, L. A. N. O Brasil Republicano. Vol. 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 310-311.)
O historiador Jorge Ferreira, no fragmento acima, se refere