
Foto: Fabrice Monteiro. A máscara de folha-de-flandres.
Internet: <avozdaserra.com.br>.
A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dois pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.
Machado de Assis. Pai contra mãe.
In: Machado de Assis: Obra completa em quatro volumes.
Vol. 2. São Paulo: Editora Nova Aguilar, 2015 (com adaptações).
Considerando o trecho precedente, do conto Pai contra mãe, escrito por Machado de Assis em 1906, julgue o item a seguir.
A referência ao “grotesco” está mais relacionada à adesão estética do autor ao estilo literário da produção e questão, que é o Romantismo, do que a um contexto que justificava o emprego da força para a manutenção da ordem.