Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
− “Meu pai foi à guerra!”
− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: − “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
[...]
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...
Urra o sapo-boi:
− “Meu pai foi rei!”− “Foi!”
− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
− A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
[...]
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
(BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, 20.ed.)
O sapo-tanoeiro afirma: “E nunca rimo / Os termos cognatos."
No poema, são exemplos de “termos cognatos”: