Magna Concursos
2847499 Ano: 2022
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FCC
Orgão: UNILUS
Provas:

Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,

Berra o sapo-boi:

− “Meu pai foi à guerra!”

− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: − “Meu cancioneiro

É bem martelado.

Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos.

[...]

Vai por cinquenta anos

Que lhes dei a norma:

Reduzi sem danos

A fôrmas a forma.

Clame a saparia

Em críticas céticas:

Não há mais poesia,

Mas há artes poéticas...

Urra o sapo-boi:

− “Meu pai foi rei!”− “Foi!”

− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.

Brada em um assomo

O sapo-tanoeiro:

− A grande arte é como

Lavor de joalheiro.

[...]

Longe dessa grita,

Lá onde mais densa

A noite infinita

Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,

Sem glória, sem fé,

No perau profundo

E solitário, é

Que soluças tu,

Transido de frio,

Sapo-cururu

Da beira do rio...

(BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, 20.ed.)

O sapo-tanoeiro afirma: “E nunca rimo / Os termos cognatos."

No poema, são exemplos de “termos cognatos”:

 

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