Entrevista: Marina Silva
Protagonismo feminino na Amazônia é muito forte
As mulheres, em todo o mundo, têm de passar por muitos obstáculos — entre eles o preconceito. Para você, o que é ser uma mulher na região amazônica? Quais os desafios e vantagens?
Marina Silva — Primeiro que ser uma mulher na Amazônia, ainda que com suas peculiaridades, guarda semelhanças com ser uma mulher no Brasil. As dificuldades, os preconceitos, que muitas vezes elas têm de enfrentar, não são diferentes porque se trata da Amazônia. Isso não vai ser diferente do que a gente vai encontrar nas diversas regiões do país.
Acho que uma característica importante é que na Amazônia elas foram assumindo um protagonismo muito forte em todos os sentidos. Se você pega a luta dos seringueiros, você vai ver figuras femininas. A primeira presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, na época do Chico Mendes, era uma mulher [Dona Raimunda], que agora novamente está no sindicato. A formação do Conselho Nacional dos Seringueiros tem uma forte participação das mulheres, inclusive da Dona Raimunda.
Você também pode observar isso na política, na academia. A presidente do museu Goeldi também é uma mulher. Você tem uma forte participação da mulher. Então ser uma mulher na Amazônia comporta a dor e as delícias de ser uma mulher no Brasil, com as dificuldades típicas de cada região.
E quais seriam essas dificuldades típicas da região amazônica?
Marina Silva — Acho que o atendimento das demandas de Saúde e Educação, aquelas demandas que são básicas e essenciais e que para uma grande parte das mulheres na Amazônia são algo muito distante. Você tem uma ausência do Estado muito grande na prestação de serviços elementares: do atendimento da saúde da mulher, planejamento familiar, atendimento da infância e é algo que sobrecarrega muito as mulheres.
Thais Iervolino. Internet: <www.portal
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Tendo em vista as informações veiculadas no texto, além de seus aspectos gramaticais e textuais, julgue o item seguinte.
O pronome “elas” em “elas têm de enfrentar” refere-se à mulher que vive na Amazônia.