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3337396 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Solo para flauta

Escrever. Tenho que escrever. Neste momento é necessário, mas não se trata de necessidade. Domingo, por exemplo, não tenho obrigação de escrever, e entretanto escrevo. Quando entro em férias, escrevo mais que quando em atividade remunerada. Donde viria isso, essa compulsão inefável e cruel de que sou vítima e cúmplice desde garotinho? Não me consta que um operário sinta prazer em trabalhar durante a telenovela das oito. No entanto, eu trabalho vendo novela de TV. Tenho sempre um caderninho de apontamentos e uma esferográfica. Não desligo de minha atividade nem mesmo durante os comerciais.

Neste momento, luto contra uma sonolência que me visita em horas mais ou menos previsíveis. Tem ela afinidade com o desfalecimento. Estando em convalescença, minado o meu organismo pela ingestão de produtos químicos, o sono se aproxima com promessas de recuperação, mas eu recuso a sua meiga imposição. Não me agrada dormir no sentido em que as pessoas geralmente dormem, obedientes à tirania do relógio e à ordem das atividades sociais produtivas. Ser noturno, encontro então uma doçura que poucos reconhecem e aproveitam, na penumbra, na surdina, no radioso silêncio. Escrevo.

Haverá ainda alguma compreensão para uma literatura de sutilezas, de constituição tênue, quase tão somente cores e sons macios, sigilosos? Ah, quanta saudade tenho da aurora da minha vida...Era feliz o mundo exterior, o grato espanto de saber que Deus povoara o mundo com felicidades ingênuas...

Escrevo, escrevo. Continuarei.

(Adaptado de: OLIVEIRA, José Carlos. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 307-308)

A frase Luto contra uma sonolência que me visita em horas mais ou menos previsíveis ganha uma nova e correta redação, na qual se mantém seu sentido básico, em:

 

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