A ameaça do robôs
Robôs se rebelarem contra seres humanos com a finalidade de exterminá-los é tema recorrente em livros e filmes de ficção científica. O que é novidade, e realidade aterradora, é o fato de engenheiros de robótica de todo o mundo terem se reunido, na semana passada, na Asilomar Conference Grounds realizada nos EUA, para discutir os riscos do surgimento de uma verdadeira geração de "robopatas" -máquinas perigosas e a perda de seu controle pelo homem.
Os cientistas descartam, é claro, a possibilidade de elas adquirirem por si mesmas tal patamar de comportamento, porque isso significaria admitir, absurdamente, que robô pode ter livre-arbítrio. Mas o grande receio dos pesquisadores, na verdade, é a possibilidade de esses robôs serem manipulados por criminosos comuns, como já os são pelos governos de alguns países em momentos de guerra.
Seria uma atitude no mínimo reacionária negar a importância de robôs na evolução da humanidade e na melhoria da qualidade de vida. Desde que saíram dos laboratórios, sobretudo nos EUA e no Japão, as máquinas de inteligência artificial se espalharam em empresas, bancos, escolas, supermercados, hospitais e asilos. Esses robôs, nascidos para o bem, são refratários a tentativas de serem pervertidos - não foram programados para a agressividade. O problema, no entanto, é que o próprio homem, no poço sem fundo de seu instinto de criar tecnologias cada vez mais fantásticas, acaba ultrapassando limites.
Há cerca de meio século o matemático I.J.Good já alertava para o perigo daquilo que chamava de "explosão nervosa· da inteligência artificial.Atualmente, até mesmo um dos maiores entusiastas dessa forma de inteligência, o cientista Tom Mitchell, da Universidade Carnegie Mellon, revê sua boa fé: "Fui muito otimista·.
Fonte: Adaptado de: SGARBI, L A ameaça dos robôs. Isto É. São Paulo n.º 2073, p.80-81.
Assina1e a alternativa que não apresenta um adjunto adnominal destacado: