Ei, reaça, vaza dessa marcha
Não, reaça, eu não estou do seu lado. Não vem transformar esse protesto legítimo em uma ação despolitizante contra a corrupção. Não vem usar nariz de palhaço, não tem palhaço nenhum aqui. Agora que a mídia comprou a manifestação tu vem dizer que acordou?
O povo já está na rua há muito tempo, movimentos sociais estão mobilizados apanhando da polícia faz muito tempo. São eles os baderneiros, os vândalos, os que atrapalham o trânsito. Movimento pelo transporte, Movimento Feminista, Movimento Gay, Movimento pela Terra, Movimento Estudantil... Ninguém tava dormindo! Essa violência que espanta todo mundo não é novidade, não é coisa de agora. Acontece TODOS os dias nas periferias brasileiras, onde não tem câmera pra registrar ou repórter para se machucar e modificar o discurso da mídia.
Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção. Não é uma causa de neoliberais. Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário! – Esse “Acorda, Brasil” não tem absolutamente NADA a ver com a mobilização das últimas semanas. Então se tu realmente acredita que a mídia tá do nosso lado, abre os olhos! São muitas as maneiras de se acabar com um levante: força policial, mídia oportunista, adoção e desconstrução do discurso... [...]
(Texto do Blog de Natacastro, 17 jun. 2013.)
A autora do blog usa uma linguagem bastante informal, desviando-se em alguns momentos da norma culta. Observe os fatos extraídos do texto:
- As formas verbais do indicativo com o pronome “tu”, de segunda pessoa (“tu vem”, “tu acredita”).
- A forma usada do imperativo afirmativo com o pronome “tu” de segunda pessoa (“abre os olhos”).
- A forma usada do imperativo negativo com o pronome “tu” de segunda pessoa (“não vem” ).
- O uso das expressões “há muito tempo” e “faz muito tempo”, retomando fatos passados.
Que fatos constituem exemplos de transgressão à linguagem escrita culta?