Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é
[falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada
[nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações
alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 2003.
Atente para as seguintes afirmações sobre o poema Ausência:
I. Pode-se considerar que o eu lírico do poema, inicialmente, sentia falta de alguém ou alguma coisa. No entanto, com o passar do tempo, ele ignorou esse sentimento e não sofre mais.
II. É possível afirmar que, de tanto sentir falta de uma pessoa ou de algo que estava ausente, o eu lírico, através de sua experiência, passou a sentir que essa pessoa ou esse objeto estava presente.
III. O eu lírico sempre lastimou a ausência da pessoa amada ou a falta de algo, no entanto, após ter sido roubado, parou de lastimar a ausência, porque descobriu que a vida é para rir e para dançar.
É correto o que se declara em