Texto 01: Jogos casuais diminuem sintomas de ansiedade
Certamente, estamos vivenciando uma época em que, frequentemente, as pessoas são diagnosticadas com depressão ou algum tipo de transtorno de ansiedade ou fobia. Mais e mais vezes, vemos nossos amigos e colegas de classe com crise de ansiedade frente a atividades acadêmicas, observamos uma queda de produtividade de algum colega de trabalho. Vemos, ainda, nossos pais em colapsos por causa da depressão que lhes afligem. Por vezes, não vimos, mas sentimos essas crises de ansiedade, essas quedas de produtividade e os colapsos por conta da depressão.
E, em um estudo liberado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), constatou-se um aumento significativo de pessoas diagnosticadas com algum tipo de transtorno de ansiedade e depressão no mundo. Em uma década, referente aos anos de 2005 a 2015, o transtorno de ansiedade aumentou 18% e a depressão, 15%. Esse aumento é traduzido para 3,6% e 4,4% da população mundial afetada por ansiedade e depressão, respectivamente. A OMS ainda estima que, no Brasil, 5,8% dos brasileiros sofram de depressão e 9,3% da população nacional sofra de algum tipo de transtorno de ansiedade, fazendo com que o Brasil seja o país da América Latina com o maior número de casos de ansiedade.
Após procurarem ajuda médica e serem diagnosticados com algum tipo de transtorno de ansiedade, os pacientes seguirão para o tratamento. Atualmente, existem três tipos de tratamentos convencionais para esses transtornos: medicamentos, psicoterapias ou uma combinação dos dois. Apesar de os tratamentos convencionais terem um resultado satisfatório em pessoas depressivas, eles possuem determinadas limitações. Como alguns exemplos, temos o alto custo para o paciente, que nem sempre pode arcar com 12 ou mais sessões que, eventualmente, serão necessárias com o psicólogo; certas restrições demográficas, por conta de lugares mais isolados; o estigma que as consultas com psicólogos ou psiquiatras carregam e a baixa aderência dos pacientes aos medicamentos prescritos pelos médicos. Por conta dessas limitações, alguns pesquisadores veem, nos jogos casuais, uma alternativa de baixo custo, de fácil acesso e sem nenhum estigma associado, pois pessoas sofrendo algum tipo de transtorno de ansiedade podem usá-los para reduzir certos sintomas, principalmente transtornos mais brandos.
Seguindo esse contexto, os pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste, Matthew Fish, Carmen Russoniello e Kevin O’Brien, publicaram um artigo no Games for Health Journal, no qual eles demonstraram que os jogos casuais podem reduzir os sintomas de ansiedade em uma população depressiva. Os pesquisadores trabalharam com jovens adultos e adultos (29-31 anos) que tinham, pelo menos, leves sintomas de depressão. Os indivíduos do experimento foram selecionados utilizando o Patient Health Questionnarie (PHQ-9), que é utilizado para diagnosticar, monitorar e medir o grau da depressão. Após o recrutamento, eles foram separados em dois grupos, o controle e o experimental.
O grupo controle visitava o site do National Institute of Mental Health, site com uma grande coleção de informações sobre depressão e métodos para reduzir os sintomas de ansiedade, durante 30 minutos em cada sessão realizada em uma sala com condições perfeitamente controladas. Esse grupo ainda foi orientado a evitar jogos casuais até o fim do experimento – 30 dias.
O grupo experimental escolheu entre três jogos, Bejeweled II, Peggle e Bookworm Adventures. A liberdade de escolha foi dada a esse grupo, pois essa é uma das experiências benéficas que a recreação proporciona. Após o jogo escolhido, foram orientados a jogar durante 30 minutos, 3 vezes por semana até o fim do experimento. Foi permitido jogar mais que 30 minutos, desde que anotassem quanto tempo a mais jogaram. Provavelmente para ver, ao final do experimento, se o hábito de jogar tornou-se um vício.
No fim de cada semana, cada indivíduo de ambos os grupos passou por testes que mediam o estado e traços de ansiedade de cada um. Ao final das quatro semanas, os resultados são reveladores. O grupo experimental mostrou uma redução significativa no estado de ansiedade e traço de ansiedade quando comparados os valores da primeira sessão e da quarta e última sessão, tendo uma redução de 9,89 pontos. O mesmo não foi observado no grupo controle, que obteve uma redução de 1,53 pontos.
Os resultados desse trabalho indicam o potencial que os jogos casuais têm em auxiliar a redução de determinados sintomas de estresse e depressão. Entretanto, novos estudos, comparando a eficácia dos jogos e dos medicamentos, devem ser feitos para demonstrar se aqueles poderão agir como um método preventivo ou até mesmo um futuro substituto dos medicamentos para determinados tipos de transtornos. Outra discussão levantada é sobre quais jogos são considerados jogos casuais e como isso se difere do estilo de jogadores que jogam casualmente.
É preciso salientar que as informações expostas aqui são para mostrar os estudos que estão sendo desenvolvidos nessa área. Se você passa por momentos constantes de ansiedade sem um motivo aparente, procure ajuda médica, pois assim você, seu médico e sua família poderão buscar uma solução adequada para a situação.
(LYRA, Sidcley. Jogos casuais diminuem sintomas de ansiedade. In: http://www.cienciaexplica.com.br/artigos/jogos-casuaisdiminuem- sintomas-de-ansiedade/)
Observa-se que o Texto 01, possuindo caráter informativo, apresenta coexistência de funções da linguagem. No seu último parágrafo, identifica-se a prevalência de função da linguagem própria de textos em que: