Para os fundadores da Gestalt-terapia, a experiência clínica (que a teoria do self deve descrever) não é uma ocorrência de uma mente privada ou um fato isolado que o clínico pudesse observar a distância. Ela é um fenômeno de campo, a correlação pública entre o consulente e o clínico (em que cada um é para o outro o inatingível, o inatual ou, se quiserem, uma essência), de acordo com Muller-Granzotto (2012). Com base nessas informações, julgue os itens a seguir.
I O significante self não designa o psiquismo individual. Designa, sim, uma experiência intersubjetiva ou, se preferirem, uma subjetividade alargada, enfim, um fenômeno de campo, bem como as ambiguidades inerentes às funções e aos processos característicos desse campo. Self não é o consulente ou o clínico, mas a indivisão da experiência que faz que se misturem, sem jamais poderem coincidir.
II Chama-se self ao sistema complexo de contatos necessários ao ajustamento no campo imbricado. O self pode ser considerado como estando na fronteira do organismo, mas a própria fronteira não está isolada do ambiente; entra em contato com este e pertence a ambos, ao ambiente e ao organismo.
III O self é uma espécie de espontaneidade que somos nós mesmos, sempre engajados em uma situação – que é o campo organismo/meio – na qual nos experimentamos únicos (e, nesse sentido, finitos) de diversas formas: como seres anônimos (nas funções vegetativas, no sono, na sinestesia, no hábito, nos sonhos); como indivíduos (na senso motricidade, nas formas de consciência que a habitam, na fala); e como realidades objetivas (nas identificações imaginárias, nas formações linguísticas já sedimentadas, como aquisição cultural, nas instituições, nos ideais).
Assinale a alternativa correta.