Magna Concursos
2364125 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Osasco-SP

Leia o texto para responder a questão.

Perdendo o sono

Nos últimos anos, caí numa rotina de dormir entre cinco e seis horas por noite. Achava que estava bem adaptado a esse regime, até ler “Por Que Nós Dormimos”, do neurocientista Matthew Walker (Universidade da Califórnia, Berkeley). Ele me deu um susto.

A tese principal de Walker é simples. Todos os animais até hoje estudados dormem. Até mamíferos aquáticos, que não conseguiriam respirar caso parassem de nadar, desenvolveram um modo de dormir com metade do cérebro de cada vez e assim manter-se em movimento. Daí dá para concluir que o sono tem um papel evolucionário bastante significativo.

Walker põe-se então a destrinchar as diferentes fases do sono e suas múltiplas funções. O sono REM (sigla inglesa para “movimento rápido dos olhos”, aquele em que sonhamos) é importante para trabalharmos nossas emoções negativas, aprimorarmos habilidades sociais e para a criatividade e solução de problemas. Já o sono NREM (mais profundo, sem sonhos) é crucial na consolidação das memórias e de habilidades motoras, sem mencionar a regulação de processos fisiológicos.

Walker é também um militante. Ele está convencido de que a modernidade nos lançou numa epidemia de falta de sono com consequências tão graves como obesidade ou tabagismo. Munido de um estoque quase inesgotável de estudos, ele liga o sono subótimo* a problemas cardíacos, câncer, diabetes, obesidade, demência e até aos mais inocentes resfriados. No plano psicológico, relaciona dormir pouco a piora do desempenho cognitivo, irritabilidade, cansaço e, por decorrência, a boa parte dos acidentes automobilísticos.

Para Walker, as pessoas que acham que podem dormir pouco estão tão enganadas que nem sequer conseguem perceber os prejuízos que já sofrem com o sono insuficiente. Segundo o autor, a quase totalidade dos seres humanos precisa dormir oito horas por dia – e, de preferência, fazer também uma “siesta”.

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 10.03.2019. Adaptado)

*subótimo: que não atinge a mais alta qualidade.

Em – Ele está convencido de que a modernidade nos lançou numa epidemia de falta de sono com consequências tão graves como obesidade... –, os trechos destacados na frase podem ser substituídos, sem alteração do sentido original, por:

 

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