Os mosquitos sempre foram inconvenientes,
mas não eram vistos como um problema de saúde
pública até o início do século 20. Nos anos 1880, surgiu
a hipótese de que o mosquito transmitia o “veneno”
da febre amarela. Na década seguinte, com a
descoberta dos vírus, a febre amarela se tornou a
primeira doença comprovadamente viral da história.
A dengue foi a segunda.
O mosquito passou a ser visto como uma
ameaça por conta da febre amarela. Faz sentido:
apesar do quadro de infecção desconfortável, as
pessoas geralmente sobrevivem à dengue. Já a febre
amarela é muito mais grave, com letalidade em torno
de 40%.
Há anos tentamos combater a dengue
focando na eliminação do mosquito (basicamente,
não deixar água parada). Essa ação é fundamental,
claro, mas a busca por uma solução definitiva
demanda focar no vírus, não apenas no vetor.
A ferramenta que temos em mãos para
combater a epidemia atual são as vacinas. Existem
duas aprovadas no Brasil.
Uma delas só é indicada para pessoas que já
tiveram dengue e que moram em áreas endêmicas.
Os estudos clínicos mostraram que pacientes
soronegativos que tomaram a vacina e depois
contraíram dengue tinham mais chances de
apresentar quadros graves.
A outra previne 63% dos casos de dengue
sintomáticos e 85% das internações. Além disso, pode
ser aplicada em qualquer pessoa, não importando se
ela já teve a doença ou não. Essa vacina começou a ser
distribuída pelo SUS em fevereiro deste ano, com o
público-alvo formado por crianças de 10 a 14 anos: essa
é a faixa etária com maior número de hospitalizações
por dengue.
Maria Clara Rossini. Como a dengue chegou ao Brasil — e qual é o futuro da doença. In: Superinteressante, mar./2024. Internet: https://super.abril.com.br (com adaptações).