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2145284 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFRJ
Orgão: UFRJ
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TEXTO 2


A sociedade moderna está alicerçada em uma estrutura de profissões, evocando o profissionalismo para a execução da maioria de nossos atos. Conceitos como saúde, doença, (in)sanidade ou até mesmo o que é ordem ou desordem, são definidos no construto teórico das corporações profissionais. É na saúde que podemos aferir esse grau de profissionalismo com extremado rigor.

Um profissional é um indivíduo que tem controle e domínio sobre um campo do saber em nome da primazia da racionalidade cognitiva e orientado para a aplicação desse conhecimento na solução de problemas da realidade dada. O saber tem lugar privilegiado e define condutas técnicas e áreas de aplicabilidade da base cognitiva. Esse conhecimento especializado permite a ele exercer a autoridade sobre o paciente e a população. Suas recomendações são levadas a sério não só pelo paciente, como pela população e especialmente pelas autoridades governamentais que prezam pela integridade e o bem estar dos indivíduos. Em tempos de pandemia, por exemplo, a ciência e os achados científicos no campo da saúde passam a ter enorme relevância na tomada de decisão das autoridades sanitárias do país.

Por sua essencialidade nos serviços prestados, esses profissionais têm inserção assegurada no mercado de trabalho de saúde em postos de trabalho, seja no setor público ou no privado. Um mercado de trabalho complexo, altamente profissionalizado e de grande amplitude, pode ser atestado, por exemplo, com a presença de médicos e enfermeiros nos 5.570 municípios, nas 27 unidades da Federação e nas cinco regiões geográficas do país.

O enfrentamento da crise sanitária provocada pela pandemia do novo Coronavírus em nosso país tem sido possível, exatamente, em razão do SUS contar, como mencionado, com esse enorme contingente de trabalhadores. A Enfermagem está presente em todas as etapas de nossas vidas e em todos os setores da saúde (desde a assistência ambulatorial ou hospitalar), na gestão pública do SUS (federal, municipal e estadual), na educação, na pesquisa, na Ciência e Tecnologia, no controle social etc., prestando serviços de alto valor social.

O editorial da revista The Lancet aponta que à medida que a pandemia se acelera, o acesso a EPI para profissionais da saúde é uma preocupação importante. Apesar de muitos países priorizarem as equipes de saúde, a escassez de EPI, em unidades de saúde, tem sido apontada. Equipes realizam atendimento em pessoas que podem estar infectadas, enquanto aguardam o acesso a EPI, ou até mesmo os que estão disponíveis não atendem aos requisitos mínimos de segurança. É fato também o receio dos profissionais em contaminar seus familiares, aumentando, assim, o estresse no seu cotidiano.

Na linha de frente, profissionais como enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem, médicos, fisioterapeutas e todo o pessoal de apoio e suporte estão enfrentando o duríssimo cotidiano dos hospitais com volume crescente de pessoas buscando ajuda e socorro por conta da Covid-19. Se já estava difícil e penoso o cotidiano do trabalho desses profissionais, a situação tende a piorar e se agravar por conta do excesso de trabalho e do alto grau de estresse e medo de se contaminarem, gerando angustia e depressão.

O risco de colapso do sistema é real – e ultrapassa a questão do número de leitos ou respiradores, tão aventados pela mídia nacional ultimamente – e precisa ser observado pelas autoridades sanitárias em todo o país. É necessário descortinar a realidade da Força de Trabalho em Saúde no Brasil de modo a compreender que, todo investimento em novas instalações físicas ou novas tecnologias será inútil, enquanto não houver, pelo menos, o mesmo empenho em melhorar as condições de trabalho e de vida das pessoas que compõem o Sistema de Saúde.

Os índices elevados de óbitos e contaminação em todos os estados brasileiros tem a sua causa em múltiplos fatores, que necessitam ser investigados para buscar soluções e medidas de proteção que assegurem a integridade física e psíquica de todos os profissionais da saúde. Estudos e diagnósticos mais detalhados das condições de trabalho e, em consequência, dos efeitos que incidem no processo de trabalho durante a pandemia e no pós-pandemia são necessários e essenciais para o melhor entendimento da realidade posta e exposta.

É imperioso o olhar especial para esses trabalhadores da saúde, em especial para a Enfermagem, protegendo-os e assegurando-lhes saúde, paz e segurança para que possam continuar cuidando de todos nós.


MACHADO, Maria Helena et al. “Enfermagem em tempos da Covid-19 no Brasil: um olhar da gestão do trabalho”. In: Enferm. Foco 2020; 11 (1) Especial. pag. 34-38. Disponível em http://revista.cofen.gov.br/index.php/enfermagem/article/ view/3994/800 (acesso em 28/05/2021 - com adaptações).

Assinale o fragmento de texto que apresenta linguagem conotativa.

 

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