A Gramática: conhecimento e ensino
Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.
Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala.
Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.
E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.
[...]
Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.
(NEVES, Maria Helena de Moura.
A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Considerando os 1º e 2º parágrafos do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Os questionamentos citados no 1º§ são abordados no 2º§ na expressão do ponto de vista da autora.
( ) A articulista mostra-se contrária à tipologia argumentativa referente à abordagem de assuntos relevantes.
( ) A autora utiliza como recurso da argumentação, na introdução do texto, a exposição de questionamentos próprios a respeito da temática textual.
( ) Os questionamentos apresentados na introdução do texto são perguntas diretas, retóricas e objetivas, cujo propósito é propiciar ao interlocutor a possibilidade de refletir acerca do assunto em questão.
A sequência está correta em