O amor e a loucura
No Amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna.
Mas por que o amor é cego?
Aconteceu que num certo dia o Amor e a Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão.
Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis – a deusa da vingança – e de todos os juízes do inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego.
Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do Supremo Tribunal Celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia ao Amor.
(In: Flávio Moreira da Costa, org. Os melhores contos de
loucura. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. P. 17-8)
Após a leitura do texto de La Fontaine, considere as seguintes afirmações:
I. As palavras Loucura e Amor são personagens da história, por isso são grafadas com iniciais maiúsculas, como todo nome próprio;
II. A estrutura do texto pertence ao gênero textual fábula e, portanto, poderia apresentar o seguinte ensinamento: “o amor, além de cego, é guiado pela loucura.”;
III. Amor e loucura são adjetivos abstratos;
IV. No trecho “Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado.” Há um período composto por subordinação.
Estão corretas: