Texto II
Rita
No meio da noite despertei sonhando com minha filha Rita. E a via nitidamente, na graça de seus cinco anos.
Seus cabelos castanhos – a fita azul – o nariz reto, correto, os olhos de água, o riso fino, engraçado, brusco...
Depois de um instante de seriedade; minha filha Rita encarando a vida sem medo, mas séria, com dignidade.
Rita ouvindo música; vendo campos, mares, montanhas; ouvindo de seu pai o pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas pegando dele seu jeito de amar
– sério, quieto, devagar.
Eu lhe traria cajus amarelos e vermelhos, seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe ensinaria a palavra cica, e também a amar os bichos tristes, a anta e a pequena cutia; e o córrego; e a nuvem tangida pela viração.
Minha filha Rita em meu sonho me sorria – com pena deste seu pai, que nunca a teve.
(BRAGA, Rubem. O verão e as mulheres. São Paulo: Editora
Record, 2008, p.108)
Considere o terceiro parágrafo, transcrito abaixo, para responder às questões 13 e 14 seguintes.
“Depois de um instante de seriedade; minha filha Rita encarando a vida sem medo, mas séria, com dignidade.”
As duas expressões destacadas caracterizam certo paralelismo na estrutura da frase, exercendo a função sintática de: