Analise as situações abaixo considerando o processo de aquisição da linguagem e uso da língua:
Situação 01
Uma criança de 2 anos, oriunda de família de classe média, com pais de nível universitário cuja linguagem obedece, via de regra, aos padrões cultos de concordância, produz frases do tipo:
-“Tem um monte de corações cor-de-rosa”
-“Ela tem os olhos azuis”.
Ao lado de:
_”As crianças mi batis”.
_ “Elas brigas comigo”.
_Eles correram
Situação 02
Imagine que uma criança, com a mesma idade da anterior, cujos pais não são escolarizados, possa produzir frases que não obedeçam ao padrão acima:
_”Tem um monte de coração cor-de-rosa”
_ “Ela tem os olho azul”.
ozóio azú” ozóio azur”.
Ao lado de:
_”As criança mi bati”.
_”As criança bati ni mim”.
_”Elas briga cumigo”.
cum eu”.
_”Eles correro”.
correu”.
Analisando as situações acima explicitadas é possível afirmar:
I - A primeira criança procura incorporar uma regra de formação do plural dos nomes e da estrutura dos verbos. O fato de usar “batis”, “brigas”, por analogia com o plural das expressões nominais, revela que há uma hipótese que a criança testa a partir de uma generalização: plural= “s”.
II- Observamos que a primeira criança já incorporou o plural de outros verbos: “correram”, e as duas formas convivem no momento. É provável que essa criança chegue a concluir, muito antes de entrar na escola, que deve dizer: batem, brigam, em função da contínua interação com seus pais, que são usuários destas formas.
III- A segunda criança fala de acordo com as “regras” das pessoas com quem convive e, por isso, para ela o plural é marcado num só elemento da frase, numa determinada posição.
IV - A segunda criança em relação ao plural das expressões nominativas: “os olho azul”, “ozóio azú”, “ozóio azur”, mantém a marca de pluralidade num só elemento (“os”), inclusive em “ozóio”. Se não entrar em contato com outras manifestações linguísticas que não a da sua comunidade, esta criança chegará à escola com essa “regra” bastante enraizada.
São verdadeiras: