Uma chuva fina caía sobre a cidade, tomada pela multidão que serpenteou da Candelária à Esplanada do Castelo, portando faixas e cartazes em nome de Deus e pela democracia. Naquela tarde, à frente da caminhada, empunhando em uma das mãos a bandeira nacional e na outra o rosário, ia uma mulher miúda, da classe média de Ipanema e moradora da rua Barão de Jaguaribe: Dona Amélia Molina Bastos. (...) Para Dona Amélia, professora primária aposentada, este era apenas o ponto alto de um trabalho iniciado em sua sala de jantar, no dia 12 de junho de 1962: a fundação da Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE).
ASSIS, Denise. Propaganda e cinema a serviço do golpe (1962-1964). Rio de Janeiro: Mauad, FAPERJ, 2001. p. 54-54.
A respeito da polarização ideológica que tomou conta do país no início dos anos de 1960, as mulheres organizadas no CAMDE tiveram papel destacado