Em salas de aula improvisadas no galpão de um centro cultural na terra indígena Jaraguá, no noroeste da cidade de São Paulo, adolescentes guaranis em seus 13 e 14 anos estão encostados nas paredes de madeirite enquanto olham para seus celulares, passando os dedos sobre o que aparece nas telas.
A cena se repete nas casas ao redor, com jovens sentados nas soleiras das portas e smartphones na mão. São 15h de uma segunda-feira, muitas famílias e amigos estão reunidos em frente às construções de madeira e alvenaria em conversas descontraídas. Em rádios de pilha, o som que toca é forró e sertanejo.
Dali a algumas horas, por volta das 19h, todos os moradores vão se reunir em casas de reza para uma cerimônia diária. Além de rezar, cantar e dançar segundo tradições indígenas, ali eles também discutem questões políticas e culturais que afetam a vida de todos: a construção de uma nova escola, a alimentação das crianças, o direito à terra.
Para a comunidade, não há contradição entre assimilar elementos da vida moderna e manter os rituais guaranis. Eles fazem questão de afirmar sua identidade, para que sobreviva às mudanças dentro e fora das aldeias.
“Com o crescimento da cidade para cada vez mais perto de nós, com prédios, estabelecimentos comerciais, postos de gasolina, tentam usar isso como justificativa para dizer que nós não somos mais vistos como indígenas”, conta a líder local Ara Dju Arapoty, 26, que recusa esse argumento. “Não deixamos as pessoas esquecerem que aqui é área indígena”, diz Arapoty.
(Tulio Kruse. Menor terra indígena do país fica em São Paulo. Folha de S. Paulo. 01.07.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a inserção de uma vírgula no trecho original foi feita em conformidade com a norma-padrão de pontuação.