Eu não gosto de ninguém, ele quase respondeu, refreando-se a tempo; faz sentido, ele mesmo concluía — é o pior momento da minha vida, sem a mulher, sem o filho, sem dinheiro, e desgraçadamente sem literatura. Uma letra de tango. Ou “um maneirista da própria sombra”, como escreveu Eusébio de Mattos no Suplemento de Arte, demolindo-o até a última linha com o sadismo certeiro dos grandes críticos. Para um país sem crítica, aquele texto chegava a ser uma boa surpresa, ainda que deixasse entrever mais o prazer do ataque que o lamento sincero de um estudioso honesto, o tsc tsc tsc diante de um escritor que nunca “chegou lá” na corrida de cavalos letrados do panorama nacional — e Donetti sentiu a respiração opressa pelo rancor. O célebre homem brasileiro cordial é cordial não porque seja polido, o que ele nunca foi, mas porque nada nunca passa pelo cérebro antes de chegar à vida — é só um coração batendo forte no meio da rua, que é o seu lugar.
Cristovão Tezza. Um erro emocional. Rio de Janeiro: Record, 2010, p. 91 (com adaptações).
Em relação às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue o item a seguir.
No trecho “mais o prazer do ataque que o lamento sincero de um estudioso honesto”, a substituição da conjunção “que” por do que manteria a correção gramatical da relação comparativa.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Escrivão de Polícia
120 Questões
Perito Criminal - Papiloscopia
120 Questões
Perito Criminal - Telecomunicações
120 Questões