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3264587 Ano: 2014
Disciplina: Antropologia
Banca: UFPR
Orgão: UNILA
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Leia o texto abaixo:

“No final do século XX, neste nosso tempo, um tempo mítico, somos todos quimeras, híbridos – teóricos e fabricados – de máquina e organismo; somos, em suma, ciborgues. O ciborgue é nossa ontologia; ele determina nossa política. O ciborgue é uma imagem condensada tanto da imaginação quanto da realidade material: esses dois centros, conjugados, estruturam qualquer possibilidade de transformação histórica. Nas tradições da ciência e da política ocidentais (a tradição do capitalismo racista, dominado pelos homens; a tradição do progresso; a tradição da apropriação da natureza como matéria para a produção da cultura; a tradição da reprodução do eu a partir dos reflexos do outro), a relação entre organismo e máquina tem sido uma guerra de fronteiras. As coisas que estão em jogo nessa guerra de fronteiras são os territórios da produção, da reprodução e da imaginação. Este ensaio é um argumento em favor do prazer da confusão de fronteiras, bem como em favor da responsabilidade em sua construção.”

(HARAWAY, Donna. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: HARAWAY, Donna; KUNZRU, Hari e TADEU, Tomaz (org.) A Antropologia do Ciborgue: as Vertigens do Pós-Humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2000, p. 37.)

A partir do trecho acima, considere se as seguintes afirmativas são verdadeiras (V) ou falsas (F):

( ) A relação estabelecida pela autora entre imaginação e realidade material está relacionada à importância, na teoria feminista, da oposição entre criatividade e sensibilidade femininas e senso prático e materialismo masculinos.

( ) A “guerra de fronteiras” à qual o texto de refere diz respeito principalmente às fronteiras do corpo e da pessoa, pensados pela autora não como unidades autônomas e coerentes, mas como entes atravessados por vários tipos de relações – com outros corpos, com o ambiente e com as técnicas e tecnologias modernas.

( ) A noção de ciborgue enfatiza a inseparabilidade, na constituição de pessoas e corpos na época contemporânea, entre a natureza biológica do ser humano e os produtos tecnológicos resultantes de sua cultura.

( ) Ao relacionar a ciência (e política) ocidental à “tradição do capitalismo racista, dominado por homens”, a autora pretende explicitar o modo como, no pensamento feminista e pós-colonial, a questão da objetividade dos argumentos científicos não pode ser separada das condições sociais e políticas de sua enunciação.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo:

 

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