Para resolver à questão abaixo, leia o texto retirado de “A Aldeia que nunca
mais foi a mesma”, de Rubem Alves, Folha de S. Paulo, 19/05/1984.
Era uma aldeia de pescadores de onde a alegria fugira e os dias e as noites se
sucediam numa monotonia sem fim, das mesmas coisas que aconteciam, das
mesmas coisas que se diziam, dos mesmos gestos que se faziam, e os olhares
eram tristes, baços peixes que já nada procuravam, por saberem inútil procurar
qualquer coisa, os rostos vazios de sorrisos e de surpresas, a morte prematura
morando no enfado, só as intermináveis rotinas do dia a dia, prisão daqueles
que se haviam condenado a si mesmos, sem esperanças, nenhuma outra praia
pra onde navegar...
Até que o mar, quebrando um mundo, anunciou de longe que trazia nas suas
ondas coisa nova, desconhecida, forma disforme que flutuava, e todos vieram
à praia, na espera... E ali ficaram, até que o mar, sem se apressar, trouxe a
coisa e a depositou na areia, surpresa triste, um homem morto...