Leia agora o texto “A Pesca regional”, extraído do livro Águas lendárias, de João Nogueira da Mata, antes de responder à questão, que a ele se refere:
A pesca em toda a região, nada obstante as conquistas do homem civilizado, continua obedecendo a processos empíricos. Entrosamento da experiência do ameríncola com a sagacidade do branco. Do ameríncola, quando lança mão do arco e da flecha, do arpão e da zagaia, do mundé e do timbó. Do branco, ao valer-se da linha comprida e do espinhel, da tarrafa e do arrastão. Este, não há negar-se, o processo mais eficiente.
Nos idos coloniais, segundo fontes autorizadas, os ancestrais procuravam peixes, graúdos e miúdos, às margens de lagos e paranás, valendo-se dos recursos que a natureza lhes punha ao alcance. Era o arco e a flecha nos lagos e paranás. Era a batição nos igarapés de pouca profundidade, com o cercado vedando a fuga dos cardumes. Era o timbó, veneno que tem a propriedade de tontear o peixe. Este, de papo para o ar, à flor d’água, quase nenhuma resistência faz ao ser apanhado.
Com a presença do branco em toda a Planície, inclusive nas atividades de pesca, outros processos foram sendo adotados. Com a evolução, pelos séculos em fora, tais se integraram à vida da própria hinterlândia, a ponto de se tornarem insubstituíveis.
Os vocábulos “ameríncola” e “hinterlândia”, pelo contexto em que se inserem, significam, respectivamente, “indígena” e “interior”.