3486905
Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: INAZ do Pará
Orgão: Pref. São Sebastião Tocantins-TO
Disciplina: Português
Banca: INAZ do Pará
Orgão: Pref. São Sebastião Tocantins-TO
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Leia o texto abaixo e responda à questão a seguir.
"O homem político depende do jornalista. Mas de quem dependem os jornalistas? Daqueles que os pagam. E quem os paga são as agências de publicidade que compram para seus anúncios espaços nos jornais, ou tempo no rádio. À primeira vista, poderíamos pensar que elas irão se dirigir, sem hesitar, a todos os jornais cuja grande circulação pode promover a venda de um produto. Mas é uma idéia ingênua. A venda do produto tem menos importância do que se pensa. Basta considerar o que se passa nos países comunistas, afinal de contas, não se poderia afirmar que milhares de cartazes de Lênin colados em toda parte pelo caminho possam tornar Lênin mais querido. As agências de publicidade do partido comunista (as famosas seções de agitação e propaganda) há muito tempo esqueceram a sua finalidade prática (tornar amado o sistema comunista) e tornaram-se seu próprio fim: criar uma linguagem, fórmulas, uma estética (os chefes dessas agências foram, outrora, os mestres absolutos da arte em seu país), um estilo de vida particular que em seguida desenvolveram, lançaram, e impuseram aos pobres povos. Vocês poderiam objetar que publicidade e propaganda não têm ligação entre si, estando uma a serviço do mercado e a outra a serviço da ideologia? Não estão compreendendo nada. Há mais ou menos cem anos, na Rússia, os marxistas perseguidos formaram pequenos círculos clandestinos em que se estudava em conjunto o “Manifesto” de Marx; simplificaram o conteúdo dessa ideologia para difundi-la em outros círculos cujos membros, simplificando por sua vez essa simplificação do simples, a transmitiram e propagaram até o momento em que o marxismo, conhecido e poderoso em todo planeta, viu-se reduzido a uma coleção de seis ou sete slogans tão precariamente ligados entre si, que dificilmente poderemos considerá-lo como ideologia. E como tudo que ficou de Marx não forma mais nenhum sistema lógico de idéias, mas apenas uma seqüência de imagens e emblemas sugestivos (o operário que sorri segurando seu martelo, o branco estendendo a mão ao amarelo e ao negro, a pomba da paz voando etc.), podemos justificadamente falar de uma transformação progressiva, geral e planetária da ideologia em imagologia"
KUNDERA, Milan. A imortalidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
O texto anterior apresentado discute a relação entre jornalismo, publicidade e ideologia, abordando transformações históricas e comunicativas. A partir da análise desse texto, avalie as alternativas abaixo e identifique aquela que melhor reflete uma interpretação coerente e aprofundada das ideias centrais do autor.
"O homem político depende do jornalista. Mas de quem dependem os jornalistas? Daqueles que os pagam. E quem os paga são as agências de publicidade que compram para seus anúncios espaços nos jornais, ou tempo no rádio. À primeira vista, poderíamos pensar que elas irão se dirigir, sem hesitar, a todos os jornais cuja grande circulação pode promover a venda de um produto. Mas é uma idéia ingênua. A venda do produto tem menos importância do que se pensa. Basta considerar o que se passa nos países comunistas, afinal de contas, não se poderia afirmar que milhares de cartazes de Lênin colados em toda parte pelo caminho possam tornar Lênin mais querido. As agências de publicidade do partido comunista (as famosas seções de agitação e propaganda) há muito tempo esqueceram a sua finalidade prática (tornar amado o sistema comunista) e tornaram-se seu próprio fim: criar uma linguagem, fórmulas, uma estética (os chefes dessas agências foram, outrora, os mestres absolutos da arte em seu país), um estilo de vida particular que em seguida desenvolveram, lançaram, e impuseram aos pobres povos. Vocês poderiam objetar que publicidade e propaganda não têm ligação entre si, estando uma a serviço do mercado e a outra a serviço da ideologia? Não estão compreendendo nada. Há mais ou menos cem anos, na Rússia, os marxistas perseguidos formaram pequenos círculos clandestinos em que se estudava em conjunto o “Manifesto” de Marx; simplificaram o conteúdo dessa ideologia para difundi-la em outros círculos cujos membros, simplificando por sua vez essa simplificação do simples, a transmitiram e propagaram até o momento em que o marxismo, conhecido e poderoso em todo planeta, viu-se reduzido a uma coleção de seis ou sete slogans tão precariamente ligados entre si, que dificilmente poderemos considerá-lo como ideologia. E como tudo que ficou de Marx não forma mais nenhum sistema lógico de idéias, mas apenas uma seqüência de imagens e emblemas sugestivos (o operário que sorri segurando seu martelo, o branco estendendo a mão ao amarelo e ao negro, a pomba da paz voando etc.), podemos justificadamente falar de uma transformação progressiva, geral e planetária da ideologia em imagologia"
KUNDERA, Milan. A imortalidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
O texto anterior apresentado discute a relação entre jornalismo, publicidade e ideologia, abordando transformações históricas e comunicativas. A partir da análise desse texto, avalie as alternativas abaixo e identifique aquela que melhor reflete uma interpretação coerente e aprofundada das ideias centrais do autor.