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619681 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: SESCOOP-PI
Provas:
Subúrbio
Chico Buarque
Lá não tem brisa
Não tem verde-azuis
Não tem frescura nem atrevimento
Lá não figura no mapa
No avesso da montanha, é labirinto
É contra-senha, é cara a tapa
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Olaria
Fala, Acari, Vigário Geral
Fala, Piedade
Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Desbanca a outra
A tal que abusa
De ser tão maravilhosa
Lá não tem moças douradas
Expostas, andam nus
Pelas quebradas teus exus
Não têm turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares
Espalha a tua voz
Nos arredores
Carrega a tua cruz
E os teus tambores
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Fala no pé
Dá uma idéia
Naquela que te sombreia
Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Encantado, Bangu
Fala, Realengo...
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência...
(Chico Buarque, música: Subúrbio, álbum “Carioca”, 2006.)
Muitas músicas imprimem, mesmo que implicitamente ou involuntariamente, além da carga emocional, mensagens com uma considerável carga social e política. Assim é a música “Subúrbio”, do álbum “Carioca” de 2006, do cantor e compositor Chico Buarque.
Após análise textual da canção acima, julgue os itens:
I. O advérbio de lugar “ ” diz respeito ao subúrbio, o que nos leva a concluir que o sujeito locutor gera seu discurso como se estivesse fora do subúrbio.
II. Na passagem “Lá não figura no mapa ”, ratifica-se a impressão de que o subúrbio é uma parte ignorada da cidade.
III. A canção não fala apenas de um lugar de vida difícil, de violência, de condenação, de esquecimento, de omissão, mas também de um lugar, que apesar disso, preserva suas tradições e cultura, a exemplo dos ritmos citados: o samba de roda, as cabrochas e o choro-canção, que convivem com o rap, o hip-hop, o funk, o rock.
 

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