Dois meninos de cinco anos estão numa espaçosa área
de lazer. Não há brinquedos por perto. Um deles é
magro e alto. O outro é gordo e baixo. Naturalmente,
resolvem brincar. O magro propõe: "É pega-pega, e você
é o pegador!" E já sai em tal disparada que o gordo, com
seus passos lentos e pesados, tem dificuldade de
acompanhar. Quando este percebe a distância entre os
dois aumentando cada vez mais, toma consciência de
que não conseguirá alcançar o outro tão cedo. Então
para, estica o braço e, apontando com o indicador, grita:
"Aí não vale!" O magro imediatamente para, mesmo
sabendo que não tinha sido combinado que ali não
valeria. Nesse momento da palestra, pergunto ao
público: "Por que o magro parou?" Percebo que cada um
busca dentro de si uma boa resposta. Para facilitar, eu
mesmo respondo: "Para continuar brincando! Se o
magro continuar correndo, a brincadeira acaba, não é?"
O magro volta até o gordo com os ombros meio caídos,
pois sabe que agora é a vez daquele propor outra
brincadeira. O gordo, vendo o magro bem próximo, diz:
"É luta livre!". E já avança no magro, dá-lhe uma
"gravata", derruba-o e aperta o pescoço do menino, que,
à beira do desmaio, dá umas palmadinhas no braço do
gordo em sinal de que está se rendendo. Nesse
momento, pergunto de novo ao público: "Por que o gordo
para de enforcar o magro?" "Para continuar a
brincadeira!", responde o público. E eu arremato: "E
também porque com morto não se brinca!"
Texto extraído do livro Disciplina, limite na medida certa do autor Içami Tiba, 1996.
I. Uma criança escolhe uma brincadeira na qual tem melhor desempenho, pois a intenção dela é sempre ganhar. II.É sempre a mesma criança quem escolhe as brincadeiras em que ambas crianças irão brincar. III. Quando uma criança diz que não aguenta mais, a outra não para a brincadeira.