Por mais otimista que se possa ser em relação ao Brasil,
é impossível não pensar no pior para o seu futuro quando, em um
belo domingo de sol, se acorda lendo no jornal que pelo país
afora há meninas de onze anos vendendo o corpo por R$ 1,99 ou
de cinco anos fazendo sexo oral por R$ 0,50 e à noite se vê no
Fantástico o documentário Falcão, em que um menino sonha em
ser bandido, o outro de três anos brinca de dar tiro e vender
cocaína e um terceiro resume assim o destino dessa geração
perdida: “Se eu morrer, nasce um outro que nem eu, pior ou
melhor”. Existe retrato mais cruel do porvir que nos espera?
O mais grave é que esses problemas não são de hoje, são
quase crônicos, já amplamente denunciados por CPIs e pela
mídia, sem sucesso. Meninos carregando fuzis e cheirando
cocaína são tão comuns nas periferias de nossas metrópoles
quanto fazem parte da bela paisagem de algumas cidades
nordestinas as imagens de meninas sentadas ao lado ou no colo
de turistas estrangeiros. A infância perdeu a inocência e nós
perdemos a capacidade de nos escandalizar.
Zuenir Ventura. Um futuro sem futuro. In: O Globo, 22/3/2006, p. 6A-7 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do tema por ele abordado, julgue os itens que se seguem.
O texto reconhece e critica a pouca atenção que os meios de comunicação brasileiros dão ao graves problemas da prostituição e do tráfico infantis.