Mas, afinal, qual a importância da agricultura familiar para o desenvolvimento e o combate à pobreza?
Para responder a essa pergunta é preciso primeiro apresentar o que são os agricultores familiares e quantos são.
O agricultor familiar, em termos mais genéricos, é aquele que, ao mesmo tempo em que é o gerente do estabelecimento rural,
também é trabalhador rural, desta forma diferenciando-se dos estabelecimentos rurais chamados de patronais, onde o proprietário
é o gerente, mas não é um trabalhador rural. Em termos numéricos, a agricultura familiar representa aproximadamente 85% dos
estabelecimentos rurais do Brasil, com cerca de vinte milhões de pessoas.
Em segundo lugar, é preciso que haja uma nova compreensão sobre o espaço rural brasileiro. Tradicionalmente, a área
em que há qualquer tipo de aglomerado populacional é considerada uma área urbana. Isto é extremamente conveniente para as
prefeituras, que podem aumentar a arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Em terceiro lugar, deve vir a compreensão de que na área rural não se encontram mais somente atividades agrícolas.
A integração destas com outras áreas nos setores industriais e de serviços tem permitido uma importante dinamização na oferta
de geração de renda e empregos no meio rural. A antiga definição do rural como espaço agrícola e do urbano como espaço
da indústria e dos serviços vem sendo modificada, gerando o falso entendimento de que não precisamos ter pessoas no espaço
rural brasileiro, com o avanço tecnológico.
Feitas estas considerações, podemos voltar à resposta à pergunta feita inicialmente. A agricultura familiar assume um
papel estratégico na criação das possibilidades de desenvolvimento local. O fortalecimento da agricultura familiar é estratégico
para o avanço de propostas de desenvolvimento local, pela sua presença maciça na grande maioria dos municípios brasileiros,
pelo número de pessoas que vivem nessas condições, pela força de sua produção agrícola e sua capacidade de interação com
outras atividades econômicas e sociais locais. Esse processo cria não só ocupações produtivas para os membros da família, mas
para toda a região onde se produz o processo de dinamização da economia.
Murilo Flores. Internet: http://www.coepbrasil.org.br/opiniao.asp (com adaptações).
A respeito das estruturas lingüísticas do texto, julgue os itens que se seguem.
Na linha 2, pela presença dos pronomes interrogativos “o que” e “quantos”, seria correto colocar o ponto de interrogação logo após “são”.