Ao irromper a epidemia de Escherichia coli mortal, a primeira reação dos alemães foi culpar os pepinos espanhóis — se algo vai mal, estrangeiros têm de ser a causa —, mas a acusação não resistiu a testes científicos. A Alemanha teve de pedir desculpas. Os prejuízos dos agricultores europeus com a epidemia, de 200 milhões de euros por semana, serão divididos entre eles e a União Europeia.
Quando vier a ser devidamente escrita a história da última crise econômica, há de se contar algo semelhante. A culpa foi jogada pelos alemães em gregos, portugueses e espanhóis, quando o verdadeiro foco estava em casa. E quem pagará, além dos trabalhadores do sul, será a União Europeia.
Os credores percebem, por fim, a gravidade da crise da dívida grega. Não há ajuste que baste, e agora o próprio ministro da Fazenda alemão propõe a prorrogação dos vencimentos em sete anos, em prejuízo dos credores, principalmente os próprios bancos alemães. Mas a Grécia, assim como Irlanda, Portugal e Espanha, continua pressionada a jogar a maior parte possível da carga sobre os trabalhadores e o bem-estar social — mesmo se isso encolhe a economia, aumenta o desemprego e torna ainda mais difíceis a recuperação, a arrecadação de impostos e o pagamento da dívida.
Esses países são só o começo. Em nome do bem-estar do capital, a Comissão Europeia recomenda que a França facilite a demissão de empregados, a Bélgica amplie a jornada de trabalho e todos desregulamentem a concorrência e facilitem o acesso ao capital de risco estrangeiro. Em nome da salvação do sistema financeiro europeu, da moeda única ou da popularidade do governo alemão, pedese a destruição dos direitos sociais que caracterizam a civilização europeia e que justificaram a construção de sua comunidade. Será de se estranhar se o populismo xenófobo e as forças centrífugas se tornarem incontroláveis?
CartaCapital, jun./2011, p. 16 (com adaptações).
Julgue o item seguinte, referente às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima.
No trecho “A culpa foi jogada pelos alemães em gregos, portugueses e espanhóis” a expressão “pelos alemães” designa o agente da ação expressa pela locução verbal “foi jogada”.
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