Magna Concursos
64020 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: DER-RO
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Quem precisa saber escrever?

Recebo e-mails de pessoas com idades e profissões diversas. Outro dia, chegou a mensagem de um sujeito gentil, fazendo comentários elogiosos à coluna. Cometeu alguns erros gramaticais comuns, como acontece com meio mundo, mas o que me surpreendeu foi que ele se despediu dizendo: “Desculpe por não escrever o português corretamente, mas sabe como é, sou engenheiro.” O raciocínio era que se ele fosse escritor, jornalista ou professor, escrever certo seria obrigatório, mas sendo engenheiro, estava liberado desta fatura.

Assim como ele, inúmeras pessoas acreditam que escrever não está na lista das cem coisas que se deva aprender a fazer direito na vida. Antes de aprender a escrever bem, esforçam-se em aprender a falar um inglês fluente, a jogar golfe e a utilizar o hashi num restaurante japonês. Escrever bem? Não parece tão necessário, já que acabamos sendo igualmente compreendidos. “Espero não lhe encomodar com este e-mail, é que fasso jornalismo e queria umas dicas”. O recado foi dado, quem vai negar?

É preciso dizer que não há ninguém que seja imune a erros. Todo mundo se engana, todo mundo tem dúvidas. Não conheço um escritor que não trabalhe com o dicionário ao lado. De minha parte, sempre tenho uma consulta a fazer, nunca estou 100% segura, e mesmo tomando todas as precauções, erro. Acidentes acontecem. O que não pode acontecer é a gente se lixar para a aparência das nossas palavras.

Escrever bem – não estou falando de escrever com estilo, talento, criatividade, apenas de escrever certo – deveria ser considerado um hábito tão fundamental quanto tomar banho ou escovar os dentes. Um texto limpo também faz parte da higiene. Bilhetes, e-mails, cartões de agradecimento, tudo isso diz quem a gente é. Se você não sai de casa com um botão faltando na camisa, por que acharia natural escrever uma carta com as letras fora do lugar?

(Martha Medeiros, Revista O GLOBO, 15-5-2005)

Apenas uma das opções abaixo NÃO pode ser usada para substituir a locução grifada, porque altera o sentido da frase.

Não parece tão necessário, já que acabamos sendo igualmente compreendidos.

 

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