Magna Concursos
1091585 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: SEA SC
Texto
É mais grave repetir ideias do que palavras
Chico Viana
Os professores de redação geralmente orientam os alunos a não repetir palavras. A repetição denota pobreza vocabular e torna o texto monótono. Vai de encontro à própria natureza da prosa, que se caracteriza pela progressão diversificada do pensamento.
Um de meus alunos levou muito a sério essa recomendação. Tanto que escreveu num texto sobre a diferença na forma como os pais de duas diferentes culturas educam os filhos: “Enquanto nos países latinos os procedentes são tratados com excesso de amor, nos escandinavos eles são tratados apenas com respeito.”
O estudante não quis repetir “filhos” e substituiu essa palavra por outra que lhe pareceu adequada. Talvez tenha ido ao dicionário e se deparado com este sentido de “procedente”: “que descende de”, “descendente”. Só que esse vocábulo é um adjetivo, e não um substantivo. Além do mais, não constitui um equivalente semântico para “filhos”. Na melhor das hipóteses funcionaria como um substituto precioso, pouco natural.
O ideal é que o redator tenha um repertório vocabular que lhe permita variar as palavras. Na falta disso, é melhor repetir do que tornar obscura a mensagem. Autran Dourado escreve, em Meu mestre imaginário, que “não repetir palavras é uma bobagem muito grande”. O que ele diz se aplica sobretudo à prosa literária, na qual a repetição tem valor estilístico, mas vale também para os gêneros em que a maior preocupação é argumentar.
Nesses últimos, por sinal, mais grave do que repetir palavras é repetir ideias. A recorrência de conceitos, propostas, informações tende a fazer o texto circular em torno de um mesmo ponto. Sugere que a redação foi mal pensada e que o autor não elaborou um esquema que o conduzisse da introdução à conclusão.
É possível, mesmo repetindo palavras, fazer avançar o raciocínio e defender com sucesso um ponto de vista. O que não se pode é apresentar com rigor e clareza a opinião num texto truncado, em que a falta do que dizer traduz-se em insuficiência argumentativa.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos/blog-ponta/
e-mais-grave-repetir-ideias-do-que-palavras-293815-1.asp
Acesso em: 18/08/2013.
Com base no texto, identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) O autor não tem uma opinião formada sobre redação de textos, pois ora critica a repetição de palavras, ora a defende.
( ) Em textos argumentativos, a repetição de ideias é um problema mais sério do que a repetição de palavras.
( ) Autran Dourado é o mestre imaginário de Chico Viana quando este escreve textos literários para publicar.
( ) O autor contrapõe o texto argumentativo ao texto poético, condenando a repetição de palavras no primeiro e recomendando esse recurso de escrita no segundo.
( ) Ao se escrever um texto, entre repetir palavras e deixar a informação ininteligível é preferível a primeira opção.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
 

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