Magna Concursos
2707420 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O mundo, todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-se; não pode, entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos lugares. No lugar, nosso Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo das sucessões, que transmite os tempos externos das escalas superiores, e o eixo dos tempos internos, que é o eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando, definitivamente, as noções e as realidades de espaço e de tempo.

No lugar — um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições —, cooperação e conflito são a base da vida em comum. Porque cada qual exerce uma ação própria, a vida social individualiza-se; e, porque a contigüidade é criadora de comunhão, a política se territorializa, com o confronto entre organização e espontaneidade. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.

Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2.ª ed. São Paulo: Hucitec, p. 258 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o item que se segue, a respeito das idéias e das estruturas lexicais, morfossintáticas e semânticas do texto.

A coexistência tem lugar no “mundo”, e não, no “lugar”.

 

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