Magna Concursos
1994418 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belém
Orgão: Col.Mil. Belém

TEXTO IV

A caminho da aldeia

Depois de ter passado tanto sufoco no pássaro de ferro, Lucas e eu só queríamos um lugar para descansar. Porém, tão logo chegamos, já havia um automóvel para nos levar direto para a beira do rio, onde um barco a motor nos esperava. No entanto, existia um problema: a cidade estava sem combustível. Ou seja, não tínhamos como sair dali por pelo menos dois dias. Isso nos obrigou a ficar na cidade. Mas nem tudo foi perdido, pois m1c1amos um trabalho de reconhecimento no município. Foi a oportunidade que precisávamos para conhecer melhor a realidade do local.

A aparência do Lucas causou um certo alvoroço entre as moças dali. Ele é um jovem com um rosto bem delineado, de pele alvíssima, cabelos que iam até o meio das costas. Este tipo de gente não é muito comum na região, por isso todos voltaram sobre ele o olhar.

- Senhor Lucas, o que o trouxe a nossa cidade?

- Eu vim para conhecer a realidade daqui.

- O senhor não tem medo do que vai encontrar por aqui?

- Acho que não tenho por que ter medo. Não vim aqui para brigar ou fazer qualquer tipo de discussão. Pelo contrário, estou aqui para conhecer o povo Munduruku.

- Por que o senhor resolveu conhecer este povo e não outro qualquer?

- Porque conheci um Munduruku, de quem fiquei amigo, e resolvi vir conhecer como vive a gente dele.

Foi assim que correu a pequena entrevista que Lucas teve que dar para a única rádio da cidade. Pelas perguntas se podia sentir que havia certa inquietude nas pessoas, pois em cidades pequenas sempre há alguma desconfiança e insegurança, sobretudo se quem vem se parece com um europeu e está acompanhado por um índio. Quase sempre as pessoas acham que está havendo algum tipo de movimento para acabar com elas, destruí-las. Apesar disso, a população local tem uma vida cordial com a comunidade indígena.

Também Lucas teve que se encontrar com o prefeito da cidade e foi, inclusive, por conta dessa conversa que conseguimos combustível para prosseguir a viagem para a aldeia.

Nossa ida para a aldeia iniciou-se tão logo o dia raiou. Levantamos por volta das cinco horas e fomos direto para o posto de gasolina suspenso, que fica a três quilômetros da cidade. Embarcamos num velho caminhão com outras seis pessoas que iam aproveitar nossa embarcação para ir junto. Tão logo chegamos, Nicolau, o piloto que nos levaria, abasteceu o barco e deu ordem de partida. Todos nos assentamos do melhor jeito possível e iniciamos a viagem que duraria aproximadamente oito horas, cortando o igarapé cabitutu que nos levaria até a aldeia Katõ.

A floresta amazônica é algo surpreendente. Eu a conheço bem e sempre me extasio diante de sua grandiosidade e beleza. Em muitos lugares só se chega a pé ou de canoa. Alguns braços dos seus rios são tão sinuosos que nem mesmo o mais experiente piloto se aventura a desobedecer às ordens que essa natureza impõe.

Nicolau, no entanto, já havia feito tantas vezes aquele caminho que o conhecia de cor e salteado e, ainda assim, seguia um ritual do qual não abria mão. Preferia sair bem cedinho para evitar surpresas como a chuva, o mau tempo e outros pequenos incidentes que sempre acontecem. Um desses "incidentes" ele nos contou quando já estávamos em pleno Tapajós.


MUNDURUKU, D. Um estranho sonho de futuro: casos de índio. São Paulo; FTD, 2004.

No trecho "Alguns braços dos seus rios são tão sinuosos que nem mesmo o mais experiente piloto se aventura a desobedecer às ordens que essa natureza impõe", no penúltimo parágrafo do texto IV, percebe-se uma relação semântica de

 

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