Gerações inteiras se criaram à sombra de batalhas nucleares globais que, acreditava-se firmemente, podiam estourar a qualquer momento, e devastar a humanidade. Na verdade, mesmo os que não acreditavam que qualquer um dos lados pretendia atacar o outro, achavam difícil não ser pessimistas, pois a Lei de Murphy é uma das mais poderosas generalizações sobre as questões humanas. À medida que o tempo passava, mais e mais coisas podiam dar errado, política e tecnologicamente, num confronto nuclear permanente baseado na suposição de que só o medo da “destruição mútua inevitável” impediria, um lado ou outro, de dar o sempre pronto sinal para o planejado suicídio da civilização.
HOBSBAWM, E. A Era dos Extremos: O breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995 (adaptado).
O medo identificado no texto alcançou o seu aspecto mais destacado no episódio da: