PEQUENA CRÔNICA POLICIAL
Jazia no chão, sem vida,
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestara
A sua grave beleza...
Com fria curiosidade,
Vinha gente a espiar-lhe a cara,
As fundas marcas da idade,
Das canseiras, da bebida...
Triste da mulher perdida
Que um marinheiro esfaqueara!
Vieram uns homens de branco,
Foi levada ao necrotério.
E quando abriam, na mesa,
O seu corpo sem mistério,
Que linda e alegre menina
Entrou correndo no céu?!
Lá continuou como era
Antes que o mundo lhe desse
A sua maldita sina:
Sem nada saber da vida
De vícios ou de perigos
Sem nada saber de nada...
Com sua trança comprida,
Os seus sonhos de menina,
Os seus sapatos antigos!
QUINTANA, Mario. Nova antologia poética. São Paulo: Globo, 1998.
Analise as afirmações a seguir.
Uma das marcas do conceito de gênero contemporâneo é a sua visão híbrida, ou seja, a possibilidade de um texto abarcar vários gêneros, sendo este poema de Mário Quintana um exemplo.
PORQUE
O texto do poeta gaúcho traz marcas de um poema, como os versos, mas, ao narrar uma história do cotidiano, criando uma personagem, apresenta traços do gênero narrativo, o que justificaria, inclusive, o título de “crônica”.
A esse respeito conclui-se que