Antes de pensar em despoluir nossos rios, devemos
refletir sobre a causa da poluição, intimamente associada a
lançamentos sem controle de efluentes domésticos e
industriais nos rios e à destinação do lixo nas cidades. Um
levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), em 2008, atesta que apenas 30% dos
municípios brasileiros, em média, contam com tratamento de
esgoto. No Pará, são 4,2%. Todo o esgoto não tratado,
produzido diariamente por milhões de pessoas, vai para o rio
mais próximo. Para mudar esse quadro, são necessários
investimentos maciços no saneamento básico, com rede
coletora e tratamento do esgoto antes do lançamento nos rios.
O pensamento de que sempre haverá a depuração natural nos
rios de grandes volumes é um equívoco. Na foz do
Amazonas, foi encontrada contaminação por metais pesados,
assim como no rio Pará, próximo ao polo industrial de Vila
do Conde. A capacidade diluidora de um rio tem seu limite. É
possível o desenvolvimento das cidades sem agressões ao
meio ambiente; basta que poder público e população se unam
em uma causa comum e não pensem que os rios são locais de
destino de nossos rejeitos. Com essa conscientização, se o
problema não for resolvido, será pelo menos minimizado.
PEREIRA, Simone. Fórum: Por que não conseguimos despoluir nossos rios? In: Revista AU. Fórum. Disponível em: http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/234/artigo296119-1.aspx>. Acesso em: 1º/11/ 2013, com adaptações