Magna Concursos
2705612 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
Provas:

O menos que se pode dizer é que a simbiose cultural França/Brasil é coisa do passado, história, aliás, mais interessante do que sugerem os enfoques superficiais e fragmentários que, em geral, lhe têm sido consagrados, quase sempre preocupados com o pitoresco. Lembremos, a título de curiosidade, que, no século XVI, era o Brasil que exercia influência sobre a França, seja como terra de missão, seja por projetos de geopolítica, seja pelo tradicional atrativo que o exótico exerce sobre o ideário francês, passando pelas contaminações de vocabulário, como as palavras indígenas que, segundo Lévi-Strauss, incorporaram-se à língua francesa sem intermediação do português.

Do lado brasileiro, era um exemplo de bovarysmo intelectual, que, nos oitocentos e novecentos, resultava em inquietante, e não raro ridícula, desnacionalização mental, repetindo-se, em nossos dias, com relação ao inglês e aos Estados Unidos. Contudo, desde os começos do século XIX, Ferdinand Denis aconselhava aos escritores que, para criar uma literatura brasileira, era preciso abandonar os modelos estrangeiros em favor da temática nacional.

Acrescentemos a tradicional “visão tropicalista” que condiciona o “horizonte de expectativa francês” com relação às literaturas latino-americanas e que nós, de nossa parte, fazemos de tudo para encorajá-la com a imagem folclórica sobre nós mesmos. Daí decorre, para lembrar apenas um caso, que Machado de Assis seja visto no exterior como pouco brasileiro, pois o protótipo brasileiro é Jorge Amado.

Wilson Martins. Jornal do Brasil, 19/11/2005 (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue o próximo item.

No segmento “era o Brasil que exercia influência sobre a França”, foi empregada a expressão de realce “era (...) que”, compatível com o conteúdo da informação aí expressa.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Oficial de Chancelaria

100 Questões