Magna Concursos
1353251 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CEC
Orgão: Pref. Palmeira-PR
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FURTO DE UMA FLOR
Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a num copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e a flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.
Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a vi morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!
Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985, p. 80.
Qual a atitude do porteiro no início e no fim da narrativa?
 

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