Alta performance
Há muitos anos trabalhei em uma empresa automobilística. Percorria os vários setores, para conhecer de perto o que fazia cada inspetor de qualidade, quando vi um operário examinando uma chapa que tinha um pequeno furo redondo. Cheguei perto dele e perguntei-lhe qual era seu trabalho:
"Controlo esse buraco", disse ele.
Perguntei para que aquele controle, e ele respondeu: "Não pode ter nenhuma rebarba no corte".
"E para que serve?", completei a pergunta.
Ele disse que não sabia, e saí dali imaginando a frustração daquele profissional quando, em casa, seu filho perguntasse:
"O que o senhor faz no seu trabalho, papai?"
"Controlo um buraco." Era só o que ele teria a dizer.
No dia seguinte, convidei aquele operário para visitar a montagem final, que ficava em outra parte da fábrica. Achei que assim ele poderia ver o motivo daquele buraco. Ele então ficou sabendo que por aquele orifício passava a fiação do farol e que, se houvesse alguma rebarba na chapa, isso provocaria focos de ferrugem que poderiam interferir, a médio prazo, no funcionamento da luz do veículo.
A expressão dele ficou diferente a partir daquele dia. Aquele homem não controlava um simples buraco: seu trabalho era importante para a segurança do automóvel, pois zelava pelo bom estado dos faróis.
Assim acontece com muita gente, que trabalha anos a fio sem saber a real importância do trabalho. À medida que evoluem os processos tecnológicos, torna-se ainda mais importante a atenção das empresas para situações simples como esta. É necessário criar mecanismos para que as pessoas possam sentir como é importante o trabalho que cada um desempenha, desde as tarefas rudimentares até as mais complexas.
Isso não se resolve com palavras bonitas nem com medidas paternalistas, e não é uma questão de ser "bonzinho" com os empregados. Trata-se simplesmente de reconhecer a importância do capital humano para a organização. Esse reconhecimento é consequência de uma mudança histórica: a força dos músculos vai sendo progressivamente substituída pela inteligência, no processo de criação de riqueza. E mesmo nos trabalhos braçais ocorre a valorização da mente, da criatividade e do know-how, já que a tecnologia absorve as tarefas mais pesadas ou repetitivas, mas o cuidado humano continua imprescindível.
Ao invés de ideias prontas, o que mais as empresas precisam promover é o comprometimento e incentivar a criatividade dos seus integrantes, e isso passa pela valorização do talento de cada um. O conhecimento técnico, por melhor que seja, será incompleto se não tiver a participação do pessoal que põe as mãos na massa. Geralmente, aquele que executa o trabalho é quem mais sabe sobre ele, e percebe melhor do que ninguém a melhor maneira de aprimorá-lo.
Texto adaptado
Prof. Gretz
Disponível em: http://www.rhportal.com.br
De acordo com o texto a palavra destacada na frase: “A expressão dele ficou diferente a partir daquele dia.”, significa: