“Se algum dia conversou por mais tempo com um escravo, Castro Alves, por pudor, prudência ou receio de parecer bisbilhoteiro, não lhe pôs perguntas sobre o passado. Nem sobre sua vida e seus valores, que provavelmente teria dificuldade de entender. Bastava-lhe saber que os negros sofriam violência e degradação. Se tivesse ouvido um escravo falar de sua terra natal, ou do que dela contaram seus pais, certamente não teria descrito a África sem qualquer amparo na realidade, a repetir as imagens tiradas do orientalismo romântico francês e a estender para o sul do Saara as paisagens do deserto. [...] Essa percepção equivocada da África de onde foram trazidos os escravos negros para o Brasil não afeta a sinceridade e a força das palavras de denúncia, que queimam no quinto movimento de ‘O navio negreiro’, nem a grandeza monumental daquele poema que geralmente é citado em sua companhia, como se fosse a outra aba do retábulo: ‘Vozes d’África’.
(Adaptado de COSTA E SILVA, Alberto da. “Imagens da África”. Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 1, n. 12, Set/2006, pp. 26-31.)
A crítica feita pelo autor às imagens apresentadas nos poemas de Castro Alves diz respeito a certas vozes de denúncia contra o sistema escravista brasileiro que: