TEXTO II
MOTIVO
(Cecília Meireles)
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem
sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
A estrutura poética de Motivo apresenta uma antítese na primeira estrofe (alegre/triste), duas na segunda (gozo/tormento; noites/dias) e três na terceira (desmorono/edifico; permaneço/desfaço e fico/passo). A quarta e última estrofe este recurso não é utilizado. Sobre isso é correto afirmar: