A mastite é uma inflamação da glândula mamária, decorrente de uma infecção causada por um agente patógeno, que adentra na glândula mamária pelo orifício do teto (principal via de infecção) ou pelo sangue (ex. Mycoplasma), causando danos no tecido e alterações físico-químicas do leite. A mastite pode ser diagnosticada como clínica ou subclínica, sendo que a primeira pode ser detectada através de alterações visíveis no leite, acompanhadas ou não de sinais inflamatórios na glândula mamária ou sistêmicas, e a segunda, através do aumento das células somáticas no leite e queda na produção de leite dos animais. Embora silenciosa e muitas vezes desprezível pelo produtor, a mastite subclínica resulta em prejuízos de maiores proporções, pois reflete em perdas na produção, aloja patógenos, pode causar mastites clínicas e resulta em leite de baixa qualidade (alta contagem de células somáticas, CCS).
Tabela 1. Modelo final de regressão logística tendo como variável dependente valores da contagem de células somáticas do leite de vacas acima ou abaixo de 200.000 células/ml
| Fator de risco | OR | P |
| Base do úrebe junto ou abaixo do jarrete | 1,73 | * |
| Presença de rachaduras ou fissuras nas partes de borracha do equipamento de ordenha | 2,45 | *** |
| Estado inadequado das teteiras do equipamento de ordenha | 1,48 | ** |
| Deficiência de limpeza frequente dos pulsadores | 1,41 | * |
| Falta de treinamento dos ordenhadores para realização de ordenha | 2,51 | ** |
| Não utilização de serviço laboratorial (microbiologia) para diagnóstico dos casos de mastite (desconhecimento dos patógenos causadores de mastite no rebanho) | 1,84 | *** |
| Imersão dos conjuntos de teteiras em solução desinfetante entre a ordenha de animais | 2,19 | *** |
| Inserção total da cânula na aplicação de antibiótico intramamário | 2,64 | *** |
| Compra de animais para reposição do rebanho | 0,57 | *** |
| Uso de caneca com retorno para desinfecção dos tetos antes e depois da ordenha | 0,30 | *** |
OR = odds ratio (risco relativo); P = nível de significância da variável no modelo (*** < 0,001; ** <0,01; *< 0,05); goodness -of- fit test(teste de falta de ajustamento) = 1,00
Coentrão C.M. et al. Fatores de risco para mastite subclínica em vacas leiteiras. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.60, n.2, p.283-288, 2008.
I - Para fins de controle e prevenção da mastite na população estudada, a separação de animais cuja base do úbere esteja no mesmo nível ou abaixo do jarrete, a manutenção correta do equipamento de ordenha e a identificação de patógenos da mastite, o treinamento dos ordenhadores para realização de ordenha, a não imersão do conjunto de teteiras em solução desinfetante entre a ordenha de animais distintos e a correta aplicação de antibiótico intramamário poderiam reduzir os níveis de mastite.
PORQUE
II - Os principais fatores de risco para ocorrência de mastite subclínica em vacas leiteiras foram as características dos animais, o manejo inadequado, a inexistência de treinamento dos ordenadores, a não utilização de serviços laboratoriais para identificação dos patógenos e o uso de equipamentos de ordenha sem manutenção periódica.
A partir das informações sobre os fatores de risco para mastite subclínica apresentadas na tabela, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.