Vendo-o ali bebendo, fazendo gracinhas, faltando ao respeito com os mais velhos e dando cada hora uma resposta, achei que ele estava apenas querendo fazer-se de importante e sabedor de coisas misteriosas, talvez pelo desejo de imitar os patrões. Foi essa também a opinião do padre Santana quando soube da resposta de Geraldo a seu Marcos.
Foi mais ou menos nessa época que d. Ritinha apareceu lá em casa para desabafar com mamãe. Começou rodeando, falando nas mudanças que estavam havendo em toda parte, e entrou no capítulo do procedimento dos filhos quando crescem.
— Para muita gente, ter filhos resulta num castigo, d. Teresa – disse ela. — Os desgostos acabam sendo maiores do que as alegrias.
Vi que mamãe ficou embaraçada, com medo de dizer alguma coisa que pudesse magoar d. Ritinha. Por fim, disse vagamente:
— Os antigos diziam que filho criado, trabalho dobrado.
— Muito certo, d. Teresa. Veja o meu Geraldo. Um rapaz bem-criado, inveja de muitas mães; de repente esquece tudo o que eu e o pai lhe ensinamos.
Mamãe procurou consolá-la dizendo que o procedimento de Geraldo devia ser resultado de uma influência passageira. A culpa era daqueles dois que deviam estar enfiando coisas na cabeça dele; quando ela menos esperasse, ele mesmo ia abrir os olhos e arrepender-se. Dona Ritinha tivesse paciência e confiasse em Deus. Aí dona Ritinha caiu no choro, disse que a culpa era dela, que o havia aconselhado a ir trabalhar para aquela gente.
(José J. Veiga. Cavalinhos de platiplanto. Adaptado).
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que