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2424683 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: UFPR
Orgão: COPEL
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A questão refere-se à entrevista a seguir.
Revolução energética: a última encruzilhada
“Estamos diante do maior desafio que a humanidade já enfrentou, o de revolucionar com urgência todo o sistema energético mundial”. O veredicto é do engenheiro alemão Jürgen Schmid, uma das autoridades mais influentes da Europa hoje no que diz respeito às energias renováveis.
Na Alemanha, quais as principais conquistas quanto a políticas energéticas?
Um bom começo foi a aprovação da chamada “lei de energia renovável”, que alcançou bastante sucesso e está sendo “copiada” por mais de 30 países, entre os quais França, Itália, Espanha e China. A lei prevê uma tarifa especial, mais alta, garantida pelo governo por 20 anos, para a eletricidade produzida a partir da matriz solar, eólica, hidráulica ou biomassa. O investidor, ao aplicar recursos em tecnologias renováveis, está seguro de que poderá amortizar seus investimentos, pois conseguirá vender seu produto a bom preço, com garantia do governo. Além disso, esse investidor tem acesso a crédito nos bancos. Isso é realidade na Alemanha. Começamos há cerca de 10 anos, e agora outros países seguem nossos passos.
Os cidadãos alemães não se importam em pagar mais pela energia elétrica?
Cerca de 90% dos alemães estão convencidos de que precisamos de mais energias renováveis. Então não se importam em pagar poucos euros a mais todo mês por energia elétrica. Só um segmento ficou insatisfeito: as indústrias que precisam de grande quantidade de eletricidade. O argumento é que, diante de preços tão altos, a produção cairia, e, para garantir os lucros, seria preciso deslocar-se para a China ou outro lugar mais vantajoso. Como o argumento era razoável, os parlamentares abriram uma exceção: para essas indústrias, a tarifa não se alteraria.
Como o setor empresarial se comporta diante de um novo paradigma energético?
Há alguns anos, as indústrias não acreditavam que estávamos em uma situação ecológica delicada. agora todos estão mais conscientes e convencidos de que devem participar do esforço de conversão para energias renováveis. , no fundo, sabem que poderão lucrar com a nova oportunidade.
Quem deve gerir os recursos energéticos: o Estado ou a iniciativa privada?
Creio que o setor privado possa investir em unidades de produção. Mas as grandes redes de infraestrutura devem ficar nas mãos do governo. Esse modelo parece funcionar bem.
Como o senhor avalia o desempenho energético do Brasil?
Nas discussões que tenho acompanhado aqui, percebe-se uma esperança de crescimento das energias renováveis, e o país tem potencial para desenvolvê-las. O rendimento obtido pela cana-de-açúcar, por exemplo, é no mínimo cinco vezes maior que o dos biocombustíveis em voga na Alemanha. Mas isso não é suficiente para a grande transformação. A biomassa jamais dará conta de toda a demanda energética. O Brasil precisa alterar sua infraestrutura energética e investir na conversão dos sistemas convencionais, o que significa apostar em veículos elétricos e dar mais espaço às energias sustentáveis. Porém, no momento, não vejo muitas ações nesse sentido por aqui. O país investe em bioenergia e em hidrelétricas, mas despreza a energia eólica, apesar de seu enorme potencial para o desenvolvimento dessa matriz.
(Adaptado de Ciência Hoje, dez. 2009.)
O último parágrafo do texto encerra-se com a expressão “dessa matriz”. A que se refere essa expressão?
 

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