Embora não sejam objetos específicos da medicina legal, o
conhecimento das alterações anatômicas das doenças infecciosas
e crônicas degenerativas é fundamental ao médico legista, pois
possibilita a diferenciação entre etiologias naturais e violentas
para o óbito. Em cada um dos itens que se seguem é apresentada
uma situação hipotética, acerca das alterações anátomopatológicas
em cadáveres, seguida de uma assertiva a ser julgada.
Durante exame necroscópico de recém-nascido de dois dias,
limpo e com aspecto de bem cuidado, com histórico de ter
sido encontrado morto no berço, observou-se massa de
3.250 gramas, comprimento de 52 centímetros, fácies
cianótica, pele de consistência elástica e hidratada, e
ausência de sinais de diarréia. Ao exame interno foi
constatado presença de manchas de Tardieu, principalmente
na pleura visceral e regiões interlobares e substância leitosa
com grumos em abundante quantidade na traquéia. Nessa
situação, o legista teria agido corretamente ao assinalar
morte natural em seu laudo, em conseqüência de sufocação
por engasgamento com material de conteúdo gástrico
durante regurgitação.